A OBRA PRIMA QUE (QUASE) NINGUÉM QUIS ENTENDER
Gian Danton
É um fato comprovado: A grande maioria dos fãs de quadrinhos são fundamentalistas.
A afirmação acima pode parecer chocante mas reflete a realidade. Quando um dos maiores iconoclastas dos quadrinhos Frank Miller decidiu tirar sarro da industria que o fez famoso e rico ,os fanboys (apelido dado aos fãs radicais de quadrinhos) não gostaram nem um pouco e não quiseram entender todo o sarcasmo contido nas paginas de Cavaleiro das Trevas 2.
Durante 15 anos, desde o lançamento de o cavaleiro das trevas, que a DC Comics e os milhões de fãs imploravam para que Miller fizesse uma continuação de sua obra prima. Finalmente em 2001 ele resolveu lançar a tão aguardada parte dois do Cavaleiro.
A estória se passa Três anos depois da morte aparente do Batman, em Cavaleiro das Trevas, os Estados Unidos são governados pelo presidente Rickard, que não passa de um fantoche digital do vilão Lex Luthor. E a America, antes a terra da liberdade, agora é um estado fascista.
Os antigos super-heróis estão fora da ativa e acompanham o desenrolar dos fatos de forma distante. Mas... até quando? A trupe liderada pela Catgirl e os batboys resgatam dos seus diferentes cativeiros duas lendas do passado: Átomo e Flash.
Esse ressurgimento de aventureiros mascarados desperta velhas rixas, obrigando o Super-Homem a se reunir com seus companheiros, Capitão Marvel e Mulher-Maravilha, o que resultará numa intervenção direta nos planos do único responsável possível: Batman.
O Super-Homem está sendo chantageado por Lex Luthor e Brainiac, que mantêm a cidade engarrafada de Kandor (o último resquício de Krypton) sob seu domínio, obrigando o maior herói de todos os tempos a obedecer às suas ordens.
Mas para chegar ao Homem-Morcego, o enfurecido Homem de Aço terá que passar antes por velhos aliados a Liga da Justiça: Flash, Átomo e Arqueiro Verde.
Miller aproveitou sua estória para atacar de forma direta a indústria das HQs brincando com todos os clichês possíveis dos comics americanos , diferente do clima pesado do original vemos super heróis coloridos pulando de um lado para o outro numa clara afronta ao estilo sombrio de comics que o mesmo Miller ajudou a criar. A influencia dos mangás, que sempre permeou sua obra, fica totalmente explicito no designer dos personagens, antecipando a invasão dos quadrinhos japoneses que chegaria ao ocidente nos próximos anos.
Miller exagera todos os maneirismos de heróis e vilões de forma proposital para mostrar quão ridícula tinha se tornado a industria de quadrinhos de super heróis. O que a maioria dos fãs não quis entender é que Frank Miller criou a estória para ser lida como se fosse uma versão da revista Mad , com seu nonsense frenético, dos ícones da DC comics e o cavaleiro das trevas 2 entrou pro seleto time de obras primas que só serão realmente entendidas com o passar dos anos e tem sua importância reavaliada por uma geração futura.
A maioria dos fanboys simplesmente não quis entender pois para eles quadrinhos não são uma forma de entretenimento mas uma religião e como toda boa religião tem seus Dogmas intocáveis.
Azar deles.
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